By mapozi só novidades |
Wed, 03-Jun-2026, 22:01
𝐄𝐧𝐭𝐫𝐞 𝐚 𝐥𝐢𝐛𝐞𝐫𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐞 𝐚 𝐡𝐨𝐧𝐫𝐚
𝐏𝐨𝐫: 𝐃𝐣𝐢𝐧𝐢-𝐰𝐚𝐧𝐠𝐚 - 𝐌𝐚𝐭𝐜𝐡𝐚'𝐬 - 𝐌𝐚𝐜𝐡𝐚𝐯𝐚
Há notícias que valem mais pelo que nos obrigam a pensar do que pelo que anunciam. A condenação do Prof. Adriano Nuvunga por difamação e calúnia é uma dessas.
Num país onde a confiança nas instituições é frequentemente posta à prova, onde os cidadãos reclamam mais transparência e onde o combate à corrupção é uma exigência cada vez mais presente, esta sentença levanta questões que vão muito além do destino judicial de um único homem.
Vivemos tempos estranhos. Por um lado, exige-se aos cidadãos que sejam vigilantes, que denunciem abusos e que fiscalizem os que exercem poder. Por outro, qualquer denúncia que não seja sustentada por provas suficientemente robustas pode transformar-se numa arma apontada ao próprio denunciante.
A liberdade de expressão não pode ser uma licença para acusar sem fundamento. Mas também não pode transformar-se numa liberdade vigiada pelo medo constante de represálias judiciais. Quando o medo de falar se torna maior do que a vontade de denunciar, a democracia começa a perder oxigénio.
Num mundo dominado pelas redes sociais, onde uma acusação pode correr o país em poucos minutos, a responsabilidade de quem fala é tão importante quanto a responsabilidade de quem julga.
Mas há uma pergunta que continua a pairar no ar: será que estamos a criar uma cultura de responsabilização ou uma cultura de intimidação?
Entretanto, o cidadão comum observa. Observa os tribunais, observa os activistas, observa os políticos e procura perceber onde termina a verdade e onde começa a narrativa.
No fundo, esta não é apenas a história do Prof. Adriano Nuvunga. Até porque numa democracia madura, nem o silêncio deve ser imposto, nem a palavra deve ser irresponsável. Porque quando a verdade deixa de ser o objectivo, todos acabam derrotados.