🚨Já faz algum tempo que esta mudança aconteceu e ainda não a tinha anunciado publicamente, mas hoje, passados sensivelmente dois meses, quero partilhar convosco esta nova etapa da minha vida, marcada por gratidão pelo caminho percorrido e entusiasmo pelos desafios que se seguem.
É com um profundo sentimento de gratidão, orgulho e felicidade que anuncio o encerramento de um importante capítulo da minha vida profissional e activista.
Após exactamente dois anos, deixo de fazer parte do Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD), uma instituição que não foi apenas um local de trabalho, mas uma verdadeira escola de cidadania, coragem e compromisso com a justiça social. Foi nesta casa que aprofundei o meu activismo, fortaleci a minha voz e tive a oportunidade de caminhar ao lado de pessoas extraordinárias na defesa dos direitos humanos e da democracia.
Saio com o coração cheio de gratidão por todas as aprendizagens, desafios e conquistas construídas ao longo desta jornada. Levo comigo experiências que moldaram a pessoa e a defensora dos direitos humanos que sou hoje.
Quero deixar um agradecimento especial ao Professor Adriano Nuvunga pela liderança, confiança e ensinamentos ao longo destes dois anos. Com ele aprendi que defender os direitos humanos exige coragem, firmeza e coerência, mesmo quando isso implica enfrentar desafios difíceis. Levo comigo lições valiosas que continuarão a orientar o meu percurso e a minha forma de servir as causas em que acredito.
Mas este não é um adeus à luta. É o início de uma nova missão.
A partir de hoje, dedico toda a minha força, coragem, energia e compromisso à prevenção e ao combate das uniões prematuras em Moçambique, através do Projecto SEED. Recuso-me a aceitar que 48% das raparigas moçambicanas continuem a ver os seus sonhos interrompidos, a sua educação comprometida e os seus direitos negados por uma prática que continua a roubar o futuro de gerações inteiras.
O meu compromisso é trabalhar para que Moçambique deixe de figurar entre os países com as mais elevadas taxas de uniões prematuras no mundo e para que cada rapariga tenha a oportunidade de crescer em segurança, concluir a sua educação, realizar os seus sonhos e decidir livremente o seu próprio futuro.
O caminho será longo, mas acredito que a mudança é possível quando trabalhamos juntos.
Seguimos.
Pelas raparigas.
Pelos seus sonhos.
Pelo seu futuro.
Pelo futuro de Moçambique.